Arquivos Mensais:janeiro 2011
Segurança Internacional
Bacharel em Relações Internacionais. Nossa, 4 anos voaram! Muitas teorias foram apreendidas, digamos, e outras ricochetearam em minha mente e se depositaram em alguma parte mais difícil de ser acessada. Por ter sido um curso tão multidisciplinar o futuro parece ainda mais incerto, ao menos na Paraíba. Itamaraty? Mestrado? Trabalho? Os três? Talvez seja hora de tentar abraçar o mundo com pernas e braços, mas de forma consciente. Talvez seja hora de voltar a postar no blog, é mais simples. Vou fazer uma retrospectiva das análises que fiz ao longo do curso, começando do 7º período, já que durante o 8º eu apenas elaborei a monografia. Pode ser útil.
7º Período.
Segurança Internacional.
Uma cadeira muito interesssante e atualíssima! Gostei muito de ler os primeiros estudos sobre Segurança Internacional nas RI, estudar deterrência, crimes cibernéticos, terrorismo internacional… Wikileaks – inspiração atual. Thanks, Assange.
Buzan e Hansen
Os Estudos de Paz ofereceram uma visão mais radical em relação a bipolaridade, em que os dois hegemons mantiveram o planeta em uma situação de risco. Sobre as diferenças entre Paz Negativa e Paz positiva, podemos ressaltar a paz negativa como a ausência de guerra, enquanto que a paz positiva tem diversas conotações, associadas à integração da sociedade humana e ao combate da violência estrutural, que está ligada à desigualdade social.
O impacto para os países do Terceiro Mundo está no lançamento de uma nova agenda de pesquisa mais abrangente, que incorpora discussões sobre direitos humanos e questões relacionadas ao desenvolvimento estrutural das sociedades, incorporando elementos da teoria crítica marxista que desafiam as premissas realistas. Os debates internos dos Estudos de Paz são epistemológicos e metodológicos, e colocam em questão a racionalidade dos estudos estratégicos, levantando questões de cunho ético e revelando pesquisadores pacifistas mais tradicionais e outros estrategistas, formadores de perspectivas que ligavam os estudos estratégicos e intermediavam o controle de armas. Estudos de paz questionaram a política nuclear da Guerra Fria, assim como estratégias de deterrência, utilizando metodologia positivista.
Em relação ao controle de armas e Estudos estratégicos, foi-se apresentando que muitos estrategistas tinham conceitos normativos até sobre aspectos morais, levantando o debate clásico entre realistas e idealistas nas Relações Internacionais, onde o Controle de Armas se encontrava numa posição intermediária. Alguns representantes dos Estudos de Paz viam Estudos Estratégicos como cúmplices da exterminação nuclear, enquanto estrategistas o consideravam idealistas demais. Nos primeiros anos da Guerra Fria, os estrategistas intelectualmente dominaram nos Estados Unidos.
Ambos os estudos tinham a bipolaridade como fato central, e há diferentes interpretações sobre a aceitação da União Soviética como agressor, em que algumas mais radicais apresentam os Estados Unidos como mais agressor e questionam até a realidade da Guerra Fria. Em ações de paz, o desarmamento é um dos elementos principais que comprovam o desejo dos Estudos de Paz em diminuitr a probabilidade do uso das armas nucleares. Os benefícios do desarmamento podem ser vistos no terceiro mundo em termos da utilização de recursos no desenvolvimento destes países.
Após o 11 de setembro, muitas mudanças ocorreram na agenda de segurança internacional, como a expansão de guerras irregulares e o aparecimento de um inimgo sem base, a al-Qaeda. Os ideais liberais de racionalidade calcada em valores como a liberdade e democracia são questionados nessa época, pois a racionalidade dos atores é também questionada.
O plano de segurança nacional de Bush representa a incapacidade norte-americana de aceitar rivais, e o ataque às Torres Gêmeas representou uma falha gigantesca do sistema de segurança dos Estados Unidos. No pós 11 de setembro há a ascensão de novos atores não-estatais formulando política externa e a utilização do discurso liberal a favor da invasão do Iraque pelos EUA.
Uma das continuidades são os debates sobre políticas de grandes poderes, e no pós-11/09 a ascensão da China era destaque mundial, alterando as estratégias dos Estados Unidos. A guerra irregular explode nessa época, e as novas definições de terrorismo alteram a agenda de segurança internacional, pois o terrorismo tem diversas classificações, surgindo como ator e forte ameaça à segurança, pois pode atuar através de organizações internacionais, e vem sendo fortalecido com o aumento do fluxo de informações graças a novas estruturas cibernéticas, o que pode favorecer o aumento do tráfico de drogas e armas. Atualmente, os terroristas podem atacar virtualmente, o que pode causar sérios danos a empresas e/ou pessoas, além de terem posição fundamental nas questões de segurança por envolverem o risco do uso de armas de destruição em massa, modificando estruturas tradicionalistas de pensamento que focam o Estado como central e provedor de segurança.
E nada como um pouco de construtivismo para relembrar o TCC.
Os teóricos construtivistas, pós-colonialistas, de Segurança Humana, Estudos Críticos de Segurança e Feminismo apresentam um debate mais aprofundado da segurança, mais politizado. Os principais temas que surgem no pós Guerra Fria e são abordados por estes teóricos são os conflitos intra-estatais, a migração internacional, a redução de conflitos, a emancipação política, o meio ambiente, ampliando a temática da segurança. Os construtivistas críticos utilizam aspectos históricos e criticam a paz democrática, representando forte impacto nas abordagens dos estudos de Segurança Internacional.
A ideia do Estado como provedor de segurança é considerada como restrita e ocidental pelos pós-colonialistas, que ressaltam a importância de uma conceitualização de segurança que englobe especificidades do Terceiro Mundo, que possui um histórico de formação nacional diferente dos estados Europeus. Os pós-colonialistas afirmam que as construções de segurança afirmadas pelo Ocidente não devem ser aceitas universalmente, pois as lógicas de segurança não são universais, e há especificidades entre sociedades. A agenda de Segurança Humana é fortalecida por uma base forte institucional e ativismo político, que busca uma expansão da segurança, que inclua preocupações comuns e previna conflitos, na tentativa de erradicar o subdesenvolvimento.
O referente de segurança comum a estas abordagens é a pessoa, e não o Estado, levantando uma nova gama de setores relacionados a segurança, como meio ambiente, crescimento populacional, saúde, e terrorismo. Para estes teóricos, o capitalismo é produtor de inseguraça à ordem interna, e as ameaças passam a ser também não-estatais, onde a segurança está diretamente ligada ao desenvolvimento. A Segurança Humana está associada a uma ideia de paz instrumental, de paz positiva e de ordem social. Os Teóricos Críticos ressaltam a importância da emancipação política, da liberdade positiva das pessoas, para que estas tenham condições de exercer liberdade com segurança, a partir também da mitigação de conflitos.